sábado, 25 de Julho de 2009

Fumar é um assunto escaldante

A minha 17ª crónica no Semanário Transmontano está carregada de labaredas. Ou como se pode ter o Inferno na Terra a partir de um pequeno mas infeliz (e incivil) gesto. Leiam aqui e comentem. Muito obrigado.

sexta-feira, 17 de Julho de 2009

Processo a correr

Tem o número 345 e está no meio do pelotão. A corrida é longa e é bem possível que não chegue à meta entre os primeiros. Aliás, tudo indica que seja um dos últimos a cortar a linha de chegada, isto se não desistir a meio do caminho, algo que é habitual acontecer a um processo. Ao 345 ou a outro qualquer.

terça-feira, 14 de Julho de 2009

A mais tocante e sincera nota de pesar

Dó.

domingo, 12 de Julho de 2009

Tempo morto

Há uns nos atrás encarregaram-me de uma missão muito especial: matar o Tempo. Ganhei coragem e peguei numa pistola com silenciador. Assim que o vi não hesitei. Cheguei-me bem perto dele e disparei a arma três vezes. O Tempo caiu redondo no chão. Na altura tive a certeza absoluta que o tinha morto. Hoje já não estou tão certo disso. Pelo menos é o que eu penso quando todos os dias me olho no espelho e descubro mais uma ruga no meu rosto.

sábado, 11 de Julho de 2009

Matar o tempo

Georgina passava algum tempo na internet, em conversas da apanhada e das escondidas. Com homens ou com mulheres. Com muitos ao mesmo tempo. Ou então a sós e em privado.
Divertia-se em conversetas tecladas, que muitas vezes roçavam o picante. Por mais do que uma vez tocou-se e viu asteriscos e arrobas enquanto digitava frases feitas de grunhidos e sugestões. Mas, só uma ou duas vezes, esteve tentada a combinar um encontro. Uma vez com um homem. Outra vez com uma mulher.
Com o homem (do qual já não se lembrava do nickname) ainda acreditou que pudesse estar apaixonada. Nada de muito concreto mas foi algo que ainda lhe deu algumas noites mal dormidas.
Essa emoção cresceu como um leve incómodo sem rosto, uma voz dentro de si que, tal como as vozes dos seus companheiros cibernautas, não podia escutar. E que suposta voz seria essa? Talvez a voz da criança que ainda habitava o seu imenso corpo roliço. Talvez não fosse nada disso. Talvez não existisse nenhuma voz, nem sequer um murmúrio. Apenas um leve rumor que de vez em quando fazia estremecer o seu coração, tal como o vibrar de um telemóvel em modo de silêncio.
O que fazia era apenas matar o tempo dentro de si, fenómeno que era mais notório quando só ia para a cama com o sol a romper, isto sem ter dado pelo girar implacável dos ponteiros dos relógios.

Um dia cheio de nada

Sonho que vou ter um dia cheio de nada, imenso e árido. Um dia como outro qualquer, igual aos dias passados e provavelmente um modelo para os dias futuros.

(foto de Bruno Cunha)

terça-feira, 7 de Julho de 2009

Ataque cardíaco

― A nossa profissão é a 2ª do mundo com maior número de ataques cardíacos!
Mal disse esta frase, viu-se um intenso clarão junto à janela da sala de reuniões, logo seguido de um grande estrondo que abanou todo o edifício de escritórios.
Caiu fulminado no chão.
De facto, ele não se tinha enganado. Era mesmo a 2ª profissão do mundo com mais ataques cardíacos.