O assunto era sério. Muito, mesmo.
4 da manhã e ela ainda não tinha chegado a casa.
O problema não era ela estar fora àquelas horas. O problema era outro: ela não tinha dito nada.
Saíra do emprego por volta das 7 da tarde. Disse que ia beber uma cerveja com uma amiga. Pois, eu nem sabia que amiga era essa. Se é que era amiga.
Havia umas 3 ou 4 semanas que ela andava estranha, mais metida com ela. Enfim, ausente. Mas na cama continuava tudo bem. Talvez bem demais. De facto, não me lembrava dela assim. A brincar, eu dizia-lhe que era da idade. Tinha acabado de fazer 30 anos. Estava mais afoita e ousada. E queria tudo, agora de uma forma ainda mais crua e directa.
Talvez se quisesse agarrar à ideia de que me amava ainda. Ou que me queria mais do que nunca. Eu não acreditava. A fúria do amor dela era uma angústia que me deixava perdido. Chorei uma vez, depois de um orgasmo. Ela pensou que era felicidade. Eu sabia que era desespero.
Liguei várias vezes para o telemóvel. Nada. Desligado. Será que a bateria tinha ido abaixo? Ou, simplesmente, tinha-o desligado?
Se fosse esta última hipótese então teria que perceber o que ela teria estado a fazer de tão importante que justificasse o telemóvel mudo.
Com esse pensamento que me abrasava as entranhas, tive uma estranha tontura, um momento de quase calma. Por momentos duvidei que o meu coração estivesse a bater. Sentado na cama, encostado à almofada, levei a mão ao peito. E, no lugar do esperado batimento, não senti nada. Nada mesmo.
R136, a Árvore de Natal do Hubble
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O telescópio espacial Hubble capturou mais uma imagem do cosmos, que vem
mesmo a tempo desta época festiva. Subjectivamente qualquer um poderá olhar
para e...
Há 10 horas

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