Os dias de B eram como os dias de A, que eram como os dias de C. Quando A, B e C se juntavam ao fim-de-semana invariavelmente falavam sobre os dias passados. Depressa concluíam que os seus dias eram sempre iguais. Numa das últimas conversam que tiveram juntos, A, B e C notaram que os finais dos seus dias iam escurecendo cada vez mais. Não tinha nada a ver com o facto de serem dias de Outono, sendo cada vez mais curtos. E também não tinha nada a ver com a mudança da hora. Simplesmente, nos últimos tempos, as horas terminais dos dias eram cada vez mais penosas, estando envolvidas numa névoa escura e gelatinosa.
Para A, B e C isso significava um mau pressentimento, que parecia antecipar o escapulir da esperança dos seus dias. Os dias de A, B e C continuariam a ser como todos os outros dias anteriores mas agora em tons gradualmente mais baços, sem brilho e impedidos da possibilidade de se avistar uma luz verde (ou de outra cor qualquer) nos minutos iniciais de cada novo dia.
No último fim-de-semana A, B e C chegaram a uma terrível conclusão: os seus dias, e por extensão os dias de D, E, F, G, H, I, J, K, L, M, N, O, P, Q, R, S, T, U, V, W, X, Y e Z, caminhavam para um vórtice escuro e redemoinhado, sem ponta de luz.
Que A, B e C possam ser poupados a esse nefasto espectáculo nem que para tal tenham eles mesmos de construir outros dias, completamente diferentes, de A a Z.