sexta-feira, 27 de Junho de 2008

Olha o passarinho!


Agora já se podem ver fotos tiradas por mim. Elas vão estar sempre presentes em baixo, na coluna do lado esquerdo deste blog. Neste post já podem ver a caixa html das fotos que, como poderão reparar, está ligada a um site de acesso restrito a pessoas com paixão pela escrita e artes em geral.
Muito obrigado e vejam as fotos, nem que seja uma vez por dia.

quarta-feira, 25 de Junho de 2008

No banco do jardim

Sentado no banco do jardim o homem não vê nada para além do azul do céu. Cercado por prédios, dúvidas e temores, mastiga um livro com pouca vontade. Os caminhos do jardim estão pejados de minas, pequenas massas castanhas depositadas pelos cães das vizinhanças. E não há nada mais para além do azul, daquele azul tão belo mas que fere. Sentado no banco do jardim, o homem está à sombra e todo ele é uma névoa a dissipar-se. As palavras fogem do livro. As palavras fogem da sua mente. Vazio, o céu azul e não há nada mais para além dele. Pelo menos nesta dimensão, na dimensão do homem sentado no banco do jardim e que não vê nada para além do azul do céu.

terça-feira, 24 de Junho de 2008

O pequeno conto da manhã

Não há sol. Não há luz. Não há o cantar dos pássaros. Não há a brisa que balouça a copa das árvores. Não há o passar dos carros nem o cheiro do café do pequeno almoço. Há apenas o último limbo do sono da manhã no quarto fechado e na cama quente.
"Não vás já... Fica mais um bocadinho..."
E de repente o sol nasce, a luz aparece e os pássaros e o vento fazem-se ouvir. Lá fora o mundo acorda. Da cozinha já se sente o cheiro de uma bebida quente. É dia. Bom ou mau, logo se verá.

domingo, 22 de Junho de 2008

Comi chão

Comi chão
taco a taco
até ao último canto
da sala.
Comi chão.
A aspereza da madeira
a roçar na minha pele
e eu bicho da madeira
carpinteiro a desfazer
a madeira
tira por tira
sem parar de me mexer.
Comi chão.
Comi cadeira.
Esgravato os dedos
na minha pele.
Comi chão.
Atroz.
E os tacos
um a um
perderam a sua voz.
Comi chão.
Comi cadeira.
O que sou eu?
Um bicho da madeira?
Um devorador num jardim de aparas?
A madeira treme
que nem verdes varas.
Comi chão.
Arde-me a pele.
Comi cadeira.
Arde-me o estômago.
Comi chão
taco a taco.
Scratch.
Scratch.
Scratch.
Miam.
Scratch.

terça-feira, 17 de Junho de 2008

Destroça o adro

Destroça o adro
cai pedra por pedra
tomba a construção.
Pó e cinzas
é tudo o que fica
edifício no chão.

Destroça o adro
paredes a ruir
nada de pé.
Cai o telhado
cai a imagem
lá se vai a fé.