As minhas patas acolchoavam-se ao alcatrão duro e húmido mas os passos que elas percorreram foram poucos. Tinha eu à vista a última casa da aldeia quando na derradeira curva da estreita estrada uma carrinha de caixa aberta barrava-me a saída.Surprendido, parei. E foi nesse momento que tudo se precipitou num desfecho mais que previsível: na caixa aberta da carrinha estavam três homens, cada um deles empunhando uma espingarda, cada uma delas apontada a mim. Entre dois dos indivíduos estava uma figura mais pequena. Não tinha espingarda, apenas um pau enfezado na mão. Na cabeça exibia um gorro vermelho e protegia-se do frio com um blusão verde-alface. Reconheci esse pequeno cotomiço de gente no preciso momento em que todos os recantos de Vilarinho de Samardã se encheram de estampidos ensurdecedores.
Apenas escutei três ou quatro estrondos. De seguida tudo se turvou mas no difuso instante em que me despedi de todas as trepidações terrenas julguei ver um sorriso trocista num pequeno rosto rosado e frio.
(imagem retirada de http://loboarga.naturlink.pt/o_lobo_iberico.htm)
(continua em breve)

0 comentário(s):
Enviar um comentário