Sábado, 29 de Setembro de 2007

Os caminhos do solitário (parte 11)

O homem empunhava um longo e ameaçador pau. Mas eu sabia que não se destinava a malhar pancada. Aquele pau cuspia fogo. Já tinha visto um objecto semelhante àquele há uns anos atrás, aquando da morte do meu avô, era eu um lobito irrequieto e ingénuo. E, há pouco tempo, foi uma arma semelhante a esta que me apontaram no fojo.
A espingarda estava pronta a disparar e apontava na minha direcção.
— Vais desta p’ra melhor, rafeiro maldito!
Não me apercebi das feições do homem. Apenas me lembro que era largo de ombros mas não muito alto. Vestia uma samarra com uma gola de pelo que lhe atolava o pescoço.
No ar ríspido e frio dessa manhã, escutei o primeiro de muitos estrondos. O silvo de um vento mortífero soprou rente às minhas orelhas murchas. Virei-me e comecei a correr pelo caminho por onde tinha entrado na aldeia. Só me restavam a fuga e algumas breves centelhas de existência.

(continua em breve)

1 comentário(s):

Sónia A. disse...

Olá!!
Parece que o lobo se vai safar!!!
Será?
Bjs