— Temos de voltar para a casa dos meus avós. Posso levar-te comigo?
— Não sei se poderás pois em breve irei derreter-me e transformar-me em água.
— A sério? Que pena...
— Não fiques triste. Eu tenho a certeza de que esta noite ou amanhã irás ter uma grande surpresa.
— Que surpresa? Conta, conta!
— Não posso contar. Se contasse deixava de ser surpresa.
Mas o floco de neve estava mais preocupado com outra coisa.
— Tens a certeza de que tu e o teu cão sabem regressar a casa dos teus avós?
Xu pensou um pouco mas não soube dar uma resposta. Ela e Biju tinham vindo por um caminho que só tinham feito uma vez, ao darem um passeio com o avô. Mas depois de terem falado com as cabras desviaram-se do caminho principal e agora não tinha a certeza do caminho de volta. Felizmente o cão descansou-os:
— Ão, ão! Não te preocupes, floco. Eu sei voltar a casa dos avôs de Xu. É só seguir um carreiro até ao regato, ali em baixo. Ele vai dar ao caminho por onde viémos. Depois andamos cerca de 20 minutos e chegamos lá.
— Tens a certeza? — Responderam a menina e o floco ao mesmo tempo.
— Sim, não se preocupem. — Descansou-os Biju, muito seguro de si.
Foi então que o floco de neve fez um pedido.
— Já que passam ao lado do regato podiam deixar-me lá?
— Mas assim afogas-te? — Falou Xu, aflita.
— Não, não me afogo. Lembra-te que eu sou sempre água...
— Tens razão... Esqueci-me... Isso quer dizer que irás do regato para um rio e depois para o mar... Por fim evaporas-te, formas as nuvens e cais delas como gota de água...
— Ou como granizo ou floco de neve! — Acrescentou Biju.
— É isso mesmo! E voltará tudo ao princípio. A minha vida é um ciclo que não pode terminar nunca. A vida no nosso planeta depende disso...
— És pequenino mas importante!
Deliciado com a afirmação da menina, o floco piscou-lhe o olho.
— Vá, não quero derreter neste arbusto. Tira-me desta folha e coloca-me na cabeça do Biju. Ele tem o pelo preto e eu sou branquinho, por isso não me irão perder de vista.
Com a mão muito quentinha na sua luva, Xu pegou com cuidado no floquinho e poisou-o na cabeça do seu cão, dizendo:
— Biju, tu sabes o caminho, leva-nos até ao regato mas por favor nada de correrias! Não quero que o floquinho caia no chão e se perca de nós.
— Não te preocupes. Serei muito cuidadoso.
E lá se puseram os três a caminho do regato. Este serpenteava por entre a floresta mas como tinha chovido pouco não levava muita água.
¬— Floquinho, tens a certeza de que queres ficar neste regato? É que ele não tem muita água...
— Mais uma razão para ficar nele. E não te preocupes, nos próximos dias ele terá muita água!
Xu confiou nas palavras do floco de neve mas estava triste. Teria de se separar daquele frágil, brilhante e cristalino floquinho, tão bonito com os seus seis braços, tal como a avó lhe tinha dito. Tanto a menina como o seu cão estavam com lágrimas nos olhos.
— Não vos quero ver tristes. Quem sabe se não voltarei em breve? E eu transformo-me sempre, certo?
— Certo... — Responderam Xu e Biju, tentando ficar mais animados com as palavras do floco. Depois, sempre com cuidado, Xu tirou-o do pelo de Biju e colocou-o na corrente do regato. Antes de desaparecer na água o floquinho disse:
— Até um dia destes Xu e Biju. Agora vão para casa. E não se esqueçam que esta noite terão uma grande surpresa.
(continua em breve)
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1 comentário(s):
Já se adivinha a surpresa!
Muito interessante este conto para cianças.
beijo
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