Terça-feira, 18 de Setembro de 2007

Em busca do floco de neve - uma aventura de Xu e Biju (parte 9)

— O que é que uma menina e um cão fazem sozinhos neste monte?
O mocho tinha razão: os flocos de neve falavam! A voz deste floquinho era leve e cristalina e entendia-se muito bem. Agora o floco descansava da sua descida, mostrando os seis brilhantes braços de cristal, algo que todos os flocos de neve possuem. Ainda maravilhada e surpresa a menina disse ao floco:
— Eu e o meu cão nunca tínhamos visto um floco de neve e como os meus avós disseram-me que hoje era capaz de nevar viémos para a montanha à procura de um...
— Há muitos anos que não vinha para estas paragens mas finalmente vim ter aqui de novo. Sabes, não sou eu quem decide onde vou poisar. Essa decisão é das nuvens e do vento...
Xu interrompeu o floco:
— Mas tu já estiveste aqui? Como foi isso possível?
A menina estava um pouco confusa. Mas o floco ia explicar tudo muito bem explicadinho.
— Como já deves saber, eu sou feito de água mas ao longo da minha vida passo por várias transformações. Como gota eu formo os rios, os lagos, os mares mas depois evaporo-me com o calor do Sol e formo as nuvens. Quando estas ficam mais frias o vapor transforma-se uma vez mais em gota de água que depois cai e volta de novo aos rios, aos lagos, aos mares. Mas quando faz muito frio eu solto-me das nuvens como bola de granizo ou como floco de neve...
— Eu e o meu cão já vimos granizo...
— Acredito. — Respondeu o floco de neve. E continuou:
— Não sei se esta tarde ou esta noite vão cair mais flocos de neve mas eu tive sorte em descer aqui outra vez. É que gostava de poisar nesta montanha pois foi aqui que eu caí como neve pela primeira vez e depois sabia que tu e o Biju andavam por perto e queria que me vissem mas sem se perderem na floresta...
Foi então que Xu se lembrou das palavras da avó: “Não vás para longe”. Ela e Biju já há algumas horas que andavam pela floresta e pela montanha. Tinham de regressar.

(continua em breve)

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