Quarta-feira, 20 de Junho de 2007

A outra margem (parte 7)

Dípia correu para a água, olhar aflito e os seios a balouçar. Mergulhou e deu duas braçadas, alcançando Ricardo. Encostou o seu corpo às costas do rapaz e, apertando-o por baixo dos braços dele, tentou trazê-lo para a margem. Mas nesse momento, com a pele da mulher a incendiá-lo, ergueu-se, ficando com os pés bem assentes no fundo da lagoa. A água não lhe chegava ao tórax. Dípia arregalou os olhos.
— Tu estavas a fingir que te afogavas, meu sacaninha!? — erguendo-se também, a água desenhou uma linha agitada logo abaixo dos seus seios. — Não acredito!
As gotas a escorrer na cara de Ricardo eram escarlates e cor de chocolate. Os olhos azuis de Dípia chispavam e as suas mamas estavam tão empertigadas como ela. Os dois mamilos pareciam acusá-lo irresistivelmente. No baixo ventre do rapaz um monstrinho emergia das profundezas. Estavam cara a cara, a muito poucos centímetros um do outro e o cheiro a flores misturou-se com os odores que a lagoa libertava, madeira e plantas a decomporem-se sem pressa. A jovem sussurrou de uma forma que quis soar áspera:
— Meu fingido, afinal sabes nadar ou não?
— Juro que não sei! — respondeu Ricardo, sem hesitar.
O rapaz estava em apuros. Queria ter o controlo total sobre o seu corpo mas não conseguia. O seu sexo, a crescer, roçou na barriga de Dípia. Num ímpeto, ela colou-se ao corpo dele, cravando os dedos nas nádegas de Ricardo. Entreabriu os lábios e encostou-os aos do rapaz, que se lhe ofereceu num fechar de olhos. E foi então que o beijo mais doce que até àquele momento tinha provado lhe provocou uma forte mas desejada dor: o seu membro trepava duro pelo ventre de Dípia. Enleando ainda mais o rapaz, a mulher puxou-o para baixo. Ofegavam. Submergiram na água a bordo de um longo beijo e à superfície da lagoa ficaram a efervescer grandes bolhas de ar. E, num ápice, tudo acalmou.

(continua em breve)


(foto retirada de www.quintadosamarelos.com/praia_arredores.htm)

2 comentário(s):

Sónia disse...

Está cada vez mais interessante...
Boa continuação.

indomável disse...

Oh pá
tu és capaz de continuar a estória?
é que já estou a ficar ansiosa e isto faz-me mal ao sistema nervoso central!
Quero partir para outras paragens e não consigo descolar daqui. Para além do mais, tanto tempo debaixo de água ainda lhes faz mal.