Sábado, 16 de Junho de 2007

A outra margem (parte 5)

A pequena praia da outra margem era de difícil acesso. Ladeada por íngremes escarpas, só a nado ou numa pequena embarcação se poderia ter acesso a ela. Vários arbustos a brotar das reentrâncias das rochas emprestavam-lhe uma fresca sombra, apesar do sol ter o seu lugar garantido, iluminando as areias brancas e grossas da pequena enseada durante algumas horas. A praia era um local onde patos e outras aves descansavam longe do reboliço da lagoa maior, que ficava a umas centenas de metros da lagoa de Ricardo e de Dípia.
Era esta praia que estava na mira do rapaz. Ricardo fazia pontaria nela, transportando um desejo raivoso numa pedra achatada e lisa, que procurava alcançar areia seca e brilhante.
— Vai...
A pedra ressaltou mais duas vezes na água, num derradeiro esforço de descansar nos quentes grãos de areia. Mas, a escassos centímetros da margem, um último pluf afogou esse desejo.
— Foi por muito pouco...
Dípia cruzou os braços e abanou ligeiramente a cabeça. Com as mãos nos joelhos, Ricardo curvou-se numa postura de desalento. Por breves momentos o seu olhar perdeu-se na outra margem, no local onde estaria a pedra megulhada. O chapinhar de Dípia na água cresceu nos seus ouvidos. Institivamente o rapaz ergueu-se. A mulher colocou uma mão no ombro do rapaz, chegou a sua boca perto da face e beijou-a ao de leve. Depois segredou ao seu ouvido.
— Despe-te.

(continua em breve)

2 comentário(s):

Mel de Carvalho disse...

Havia que procurar a pedra, pois então!

Um abraço
Mel
www.noitedemel.blogs.sapo.pt

Sónia disse...

Muito bem!Será que o Ricardo vai alcançar a tão desejada margem?
Um beijo